terça-feira, 19 de setembro de 2017

Os EUA não ouvem "palavras educadas"

Os EUA não ouvem "palavras educadas"

– Ministério dos Negócios Estrangeiros da RDPC rejeita a declaração do Conselho de Segurança da ONU


por KCNA [*]


Os EUA têm recusado as medidas pró-ativas da RPDC para aliviar a tensão extrema e atuam com imprudência. É uma lição já aprendida pela RPDC:   só com ações – e não com palavras educadas – se pode falar com os EUA.
Pyongyang, 31 de agosto (KCNA) – Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) deu a seguinte resposta a uma pergunta da KCNA, em 31 de agosto, em relação ao facto de os EUA e as suas forças vassalas terem improvisado uma"declaração presidencial" do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) condenando o lançamento do míssil balístico estratégico de alcance intermédio pela Força Estratégica do Exército Popular da Coreia (EPC):

Em 30 de agosto, o CSNU publicou uma "declaração presidencial" que distorce a verdade, como se o lançamento pela RPDC do míssil balístico estratégico de alcance intermédio, Hwasong-12, minasse a paz e a estabilidade regionais e causasse graves preocupações de segurança em todo o mundo.

A RPDC rejeita categoricamente a "declaração presidencial" do CSNU que violou flagrantemente o direito à autodefesa de um estado soberano.

Nós já havíamos advertido os EUA de que acompanharíamos de perto a sua conduta. O lançamento do míssil balístico estratégico de alcance intermédio concretizado pela Força Estratégica do KPA [1] é, desta vez, apenas uma preparação para as resolutas contra-medidas que serão tomadas contra os EUA, dado que respondeu ao nosso aviso com a realização dos beligerantes exercícios militares conjuntos Ulji Freedom Guardian. 

O míssil é o primeiro passo do KPA na sua operação no Pacífico e um prelúdio significativo para refrear Guam, a base da linha da frente para a invasão.

Os EUA têm recusado as medidas pró-ativas da RPDC para aliviar a tensão extrema e atuaram com imprudência. É uma outra lição aprendida pela RPDC, de que só com ações – e não com palavras educadas – se pode falar com os EUA.

As forças armadas revolucionárias da RPDC realizarão muitos mais lançamentos de mísseis balísticos visando o Pacífico, para modernizar e aumentar ainda mais a atual eficiência de combate da sua força estratégica. 
18/Setembro/2017

[*] KCNA: Korean Central News Agency (Agência Central de Notícias da Coreia).

[NT] KPA: exército norte-coreano 

A versão em inglês encontra-se em www.solidnet.org/...   e a tradução portuguesa empelosocialismo.blogs.sapo.pt/porta-voz-do-ministerio-dos-negocios-21024 


Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .

Respeito aos direitos humanos na República Bolivariana da Venezuela

Respeito aos direitos humanos na República Bolivariana da Venezuela

– Declaração apresentada no 36º período de sessões do Conselho de Direitos Humanos da ONU, 11-29/Setembro.


por CETIM [*]
Muro em Caracas.1 - Preocupados com a apresentação unilateral da situação na Venezuela incitando à violência, o CETIM deseja apresentar os esclarecimentos seguintes no espírito do respeito pelo direito à informação, consagrado na Carta Internacional dos Direitos Humanos.

2 - Desde a primeira vitória do falecido Hugo Chávez nas eleições presidenciais em 1998, um processo de transformações socioeconómicas, políticas e culturais profundo mas pacífico, está em curso na Venezuela. A partir desta data e até ao êxito eleitoral do actual presidente Nicolas Maduro em Abril de 2013, as forças políticas que se reclamavam de um programa progressista comum ganharam a quase totalidade das eleições organizadas no país – de forma livre e democrática como certificaram numerosos observadores estrangeiros independentes. Ao mesmo tempo, as estruturas da sociedade democratizaram-se amplamente, em particular graças ao desenvolvimento de formas de participação popular e comunal e os direitos dos cidadãos venezuelanos progrediram consideravelmente. Não reconhecer estes avanços das liberdades civis e políticas, e da democracia em geral assim como os direitos económicos, sociais e culturais, implicaria negar uma evidência.

3 - Durante este período, alguns dos líderes da oposição, apoiados pelo governo dos Estados Unidos da América, revelaram ao mundo a sua concepção de democracia em reiteradas ocasiões:
i) Em Abril de 2002, ao intentarem um golpe de Estado contra a ordem constitucional, derrotado pela mobilização popular.
ii) A partir de Dezembro de 2002, com o lock-out do sector petrolífero, ao qual o Governo respondeu assumindo a controlo da companhia petrolífera Petróleos de Venezuela S. A e iniciando as missões sociais
iii) Durante todo o período que se examina, por incessantes operações de sabotagem da economia nacional, organizadas em colaboração com os grandes proprietários privados hostis à democratização.

O povo e os sucessivos governos, sempre a partir de eleições, fizeram frente aos ataques das facções mais reaccionárias da oposição com firmeza, no entanto mantendo a paz.

4 - Muitas vezes reiterada nas urnas, a ligação de uma ampla maioria dos venezuelanos ao processo de transformações do país explica-se por sólidas razões. Os progressos sociais foram enormes desde 1999 em todos os sectores: saúde, educação, cultura, alimentação, alojamento, infraestruturas, serviços públicos, emprego, pensões. As estatísticas estão disponíveis para o demonstrar. A tomada de controlo por parte do Estado do coração da economia – o sector petrolífero – permitiu pela primeira vez na história do país uma distribuição mais justa do rendimento derivado dos recursos naturais. Consequentemente, as desigualdades começaram a diminuir significativamente, embora ainda falte percorrer um longo caminho neste domínio. Hoje, a Venezuela, a seguir a Cuba é a sociedade menos desigual da América Latina. É evidente que tudo isto, obtido em benefício da maioria, não pode satisfazer os mais ricos.

5 - Sob a direcção do presidente Chávez, a Venezuela tomou parte activa na construção de um mundo mais equilibrado, não unipolar. A "Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América" – Tratado de Comercio dos Povos (ALBA), abriu a perspectiva de relações regionais de cooperação e solidariedade situando-se numa posição oposta aos princípios de concorrência e maximização dos lucros privados, utilizados pela globalização capitalista. O mesmo aconteceu com as iniciativas aplicadas para permitir ao Sul subtrair-se à influência do FMI e dos oligopólios financeiros dominados pelo Norte. Um novo impulso reavivou o espírito de independência latino-americano, levando à criação de instituições comuns na região. Este importante avanço para os povos do Sul não poderia obter a aprovação das potências do Norte nem dos seus intermediários locais.

6 - Nestas circunstâncias não é surpreendente observar que o processo de transformações sociais na Venezuela levanta vagas de ataques mediáticos furibundos, tanto no país como no estrangeiro. Estas campanhas de imprensa, rádio e televisão, mas também através da internet e redes sociais, orquestradas pelas potências do dinheiro, incitam ódios e difundem mentiras contra o movimento progressista. Contrastam contudo com o silêncio dos mesmos meios de comunicação dominantes no momento do golpe de Estado militar que derrubou o presidente Zelaya nas Honduras (2009) e dos "golpes de Estado parlamentares" que puseram fim aos mandatos dos presidentes Lugo no Paraguai (2012) e Roussef no Brasil (2016). Esta escalada mediática aumentou de intensidade após a morte de Hugo Chávez e da eleição à presidência em 2013 do continuador do seu projecto Nicolás Maduro. A coexistência de facto foi interrompida pelo triunfo dos diversos partidos da oposição nas eleições legislativas de Dezembro de 2015, impulsionando os seus líderes mais extremistas a sentirem-se autorizados a imitar projectos anteriores, como o hondurenho, paraguaio ou brasileiro, fundamentalmente antidemocráticos e a dar um passo maior desencadeando uma ampla operação de desestabilização da Venezuela.

7 - Esta escalada de violência contra o presidente Maduro, legitimamente eleito, passou inicialmente por um voto parlamentar de auto amnistia dos crimes e delitos (e ao reconhecimento de facto como tais!) cometidos pelos líderes da oposição. Agravada em seguida por uma tentativa, rapidamente abortada por não terem sido cumpridas as exigências legais, de convocar um referendo cujo objectivo era destituir o presidente Maduro. Finalmente, e durante vários meses, o endurecimento de uma facção dos opositores, muito divididos, materializou-se sob a forma de apelos a uma intervenção de potências estrangeiras, na esperança de vê-las intervir nos assuntos internos e questionar a soberania nacional. Foi, em primeira instância, a Organização dos Estados Americanos que se mobilizou com o fim de excluir a Venezuela desta instituição, sem ter em conta os interesses nacionais. Os mais fanáticos opositores, que conhecem o apoio das massas populares ao Governo do presidente Maduro e ao processo de transformações, aspiram a nada menos que a uma intervenção militar exterior contra o seu país.

8 - Quer sejam venezuelanos ou estrangeiros, os poderes que apoiam esta oposição levam a cabo dentro de Venezuela uma guerra económica. Mediante o controlo da maioria dos meios de produção na industria e na agricultura, vêm sendo capazes de afectar a satisfação das necessidades da população organizando consciente e desumanamente, com a cumplicidade de redes identificadas como subordinadas aos Estados Unidos, a retenção e a escassez de produtos alimentares e necessidades básicas; exportações em contrabando transfronteiriço de bens subvencionados – incluindo petróleo; manipulação de preços no mercado interno e distorções da taxa de cambio da moeda nacional no mercado negro; evasão fiscal e fugas massivas de capitais; e, em general, uma sabotagem sistemática da economia nacional destinada a submergi-la numa "crise" artificialmente mantida. A impressão de "caos" que daqui resulta serve de pretexto aos bancos estrangeiros e a algumas organizações internacionais para elevar o "risco do país" e, portanto, o custo do endividamento – quando as linhas de crédito exterior não são simplesmente interrompidas. O objectivo prosseguido é tentar desestabilizar o processo de transformações sociais em curso, privar o Estado das suas fontes de rendimentos e minar a moral do povo pela intensificação da escassez, desordens e descontentamentos. Isto é totalmente inaceitável.

9 – Nenhuma das razões das dificuldades encontradas – que têm menos a ver com erros de gestão do Governo do que com a vontade deliberada dos seus opositores – é objectivamente analisada pelos meios de comunicação dominantes. Lógico: os proprietários dos grandes meios de comunicação têm interesse em pôr fim a este processo de transformações democráticas que, pelo exemplo que representa, questiona a ordem subjacente ao seu domínio. Por esta razão, os projectores incidem actualmente sobre os acontecimentos de rua em Caracas ou noutras cidades do país, apresentados como acções de manifestantes "pacíficos" (quando não retratados como "heróis"), reprimidos por uma suposta "ditadura". No tumulto actual não se pôde evitar excessos de ambas partes. Porém, estranhamente encobrem-se os crimes, inegáveis, perpetrados pelas facções extremistas destes "manifestantes" – entre os quais figuram grupos organizados de ideologia de recorte fascista e bandos de delinquentes financiados pela oposição mais radical para semear o terror – cujas exacções são excitadas com irresponsáveis apelos à violência, e em crescendo, vindo além disto de alguns parlamentares. Assim, entre falsa informação e fotografias retocadas, é o mito de um novo episódio das "revoluções coloridas" que se inventa, ao estilo de quem, nestes últimos anos, promoveu facções de extrema-direita servis aos Estados Unidos acedendo ao poder mediante o recurso à força. Estas manipulações de informação, tão grosseiras como perigosas, insultam todos os jornalistas íntegros, calcando o direito dos cidadãos à informação, fazendo o jogo dos adeptos da guerra civil, mas não poderiam enganar os observadores honestos.

10 - Para encontrar uma saída, necessária para a situação especialmente dolorosa que vivem os venezuelanos, o presidente Maduro anunciou no passado dia 1 de Maio a sua decisão de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. Perante a negativa obstinada dos opositores mais brutais em reiniciar as negociações com o Governo legítimo do país, esta iniciativa traduz uma intenção presidencial de apaziguamento e de alargar o âmbito das discussões construtivas ao conjunto dos componentes da sociedade. Representa igualmente a consolidação das conquistas e dos objectivos sociais efectuados desde 2003, das formas existentes de participação democrática e as bases da soberania [1] que se buscam através da reforma da Constituição. A palavra é dada novamente ao povo, donde surge todo o poder, pelo voto. Tal como se conhece actualmente, esta Assembleia Constituinte compõe-se de 545 representantes, eleitos por sufrágio directo e secreto por circunscrição territorial ou sector profissional (delegados de municípios, comunidades indígenas, e também estudantes, empresários, trabalhadores, camponeses e pescadores, deficientes e reformados).

11 - Não se trata aqui de subestimar os limites ou de desvalorizar as insuficiências do processo de transformações na Venezuela; nem de parecer querer ignorar os motivos de desaprovação, ou inclusivamente de exasperação, de numerosos cidadãos – motivos geralmente vinculados aos males herdados do sistema capitalista, de que o processo em curso não se emancipou totalmente (insegurança persistente, casos de corrupção, desigualdades reduzidas mas ainda muito elevadas, mentalidade rentista…). Não obstante, é necessário compreender que a parte fundamental dos problemas que a grande maioria dos Venezuelanos conhece presentemente tem por origem a hiperconcentração da propriedade dos meios de produção nas mãos de una pequena minoria de proprietários, suficientemente poderosos (e apoiados do estrangeiro) e que têm a capacidade de submergir o país numa "crise" – cuja organização está a seu cargo –, de prejudicar o bem-estar da população e fomentar a multiplicação de aptos de violência. Por conseguinte, nós pronunciamo-nos pelo regresso imediato à calma e ao diálogo, pelo respeito pela autodeterminação do povo venezuelano e o aprofundamento do processo de transformações democráticas que livre e corajosamente se iniciou há duas décadas, no espírito de progresso social, justiça e independência do presidente Chávez, mantendo-se fiel às acções e ensinamentos de Simón Bolívar [2]

12 - No contexto das múltiplas crises (políticas, socioeconómicas, culturais, de alimentação, climáticas, migratórias…) e conflitos armados em muitas regiões do mundo, é irresponsável desencadear o caos na Venezuela. Os que persistem nesta via implicam as suas responsabilidades face ao direito internacional e deveriam responder perante a justiça pelos seus aptos.

13 - Em vista do precedente, consideramos que a Venezuela necessita apoio, tanto da parte dos Estados como dos órgãos das Nações Unidas, de acordo com a Carta da Nações Unidas e do direito internacional sobre os direitos humanos, e não de uma campanha de ódio e desestabilização. 
Notas
[1] Ver: Samir Amin (2017), La Souveraineté au service des peuples, CETIM, Genebra
[2] Ler: Rémy Herrera (2017), Figures révolutionnaires de l'Amérique latine , Delga, París, 2017 


[*] Centro Europa-Terceiro Mundo. Trata-se de um centro de pesquisa sobre as relações Norte-Sul e uma organização activa nas Nações Unidas para defender e promover os direitos económicos, sociais e culturais e o direito ao desenvolvimento. Pretende ser uma interface para disseminar as análises e propostas dos movimentos sociais do Sul e do Norte. Foi criado em 1970. O seu lema é: "Não há um mundo desenvolvido e outro subdesenvolvido, mas sim um mundo de mal desenvolvido". Esta declaração escrita do CETIM foi elaborada pelo Dr. Rémy Herrera, investigador do CNRS, Paris, e apresentada no 36º período de sessões do Conselho de Direitos Humanos da ONU, de 11 a 29 de Setembro,   Ponto 4 da ordem de trabalhos: Situações relativas aos direitos humanos que requerem a atenção do Conselho.

Ver também: 
  • Declaração escrita do CETIM acerca de Cuba

    Original encontra-se em www.cetim.ch/.... . Tradução de DVC. 


    Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .
  • quinta-feira, 14 de setembro de 2017

    RPDC e mitos

    OUVIR RÁDIO
      Filip Milosavljevic com seu companheiro de viagem e com uma jovem norte-coreana

      Sérvio fala sobre visita à Coreia do Norte: metrô, mulheres e escuridão noturna (FOTOS)

      © Foto: Jungle Tribe
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      Ouvi dizer que a Coreia do Norte... O que realmente sabemos sobre esse país asiático? Como são as pessoas que moram lá? Há metrô na capital? Estes e outros mitos foram desvendados por turistas sérvios que tiveram bastante coragem de visitar esse país e ver tudo com seus próprios olhos.
      "Vimos sorrisos nos rostos dos moradores da Coreia do Norte. São pessoas completamente comuns que vivem no sistema de valores existente no país. É sua vida diária, onde não é sentido problema qualquer. Eles se comportam como a maioria dos asiáticos — possuem suas metas, trabalham."
      O viajante profissional e guia turístico sérvio, Filip Milosavljevic, falou sobre sua tão esperada viagem ao país mais fechado do mundo — Coreia do Norte — em entrevista à Sputnik Sérvia.
      Um grupo de turistas da Sérvia na Coreia do Norte
      Um grupo de turistas da Sérvia na Coreia do Norte
      Na verdade, a viagem de Filip entrou para a história já que é a primeira visita de turistas dos Balcãs à Coreia do Norte, sendo que a decisão de viajar para a parte norte da península foi tomada antes do início dos eventos atuais ligados ao programa nuclear norte-coreano.
      Segundo Milosavljevic, que viu tudo com seus próprios olhos, a Coreia do Norte não tem absolutamente nada a ver com a representação que ganhou na mídia internacional.
      "Quando partimos para esse país, estávamos preocupados: acreditávamos que as pessoas de lá passam fome, comem mato, não têm o que vestir. Não é verdade. Muitos servem ao exército, ocupam-se com agricultura, formam grupos de trabalho compostos por três ou quatro aldeias. São chamadas de "Aldeia de abricó" ou "Aldeia de melão", dependendo da sua produção. Visitamos suas casas, provamos pratos nacionais", conta o turista.
      Na Coreia do Norte, a delegação sérvia por toda a parte era acompanhada pela sua guia turística — Kim —que sem dúvidas sabe falar inglês.
      "Queríamos perguntar algumas coisas sobre a situação política, mas ela respondia em palavras gerais, enquanto algumas delas foram habilmente evitadas. Entendemos que não seria possível debater esse assunto", disse Filip.
      A capital norte-coreana, Pyongyang, vista de cima
      A capital norte-coreana, Pyongyang, vista de cima
      Ainda sobre a situação política, o viajante indicou que nesse país as expressões "Coreia do Norte" ou "Coreia do Sul" não são utilizadas:
      "Só República Popular Democrática da Coreia, levando em consideração o território de toda a península. Eles falam que é um único país com 80 milhões de habitantes, onde 30 milhões moram na parte norte do país, 40 milhões — na parte sul, e 10 milhões representam a diáspora", destaca.
      O viajante explica que "para eles há somente uma nação, sendo assim, eles são parte da mesma, e lamentam pela situação atual ser essa". Ao mesmo tempo, "eles estão esperando o dia que terão oportunidade de se reunir e desejam que isso aconteça por meios pacíficos, sem interferência estrangeira".
      Mas o que realmente encantou os turistas sérvios foi a capital norte-coreana — Pyongyang. O que falar sobre ela? É uma cidade perfeitamente limpa, com avenidas largas e muitos monumentos. Os moradores de Pyongyang, por sua vez, não sabem nada sobre a Sérvia, mas qualquer lembrança da Iugoslávia provoca reação muito positiva.
      Metrô na capital: verdade ou mito?
      Ouvi dizer que não há metrô em Pyongyang e que algumas fotos raras publicadas pela mídia seriam fictícias.
      Durante sua estadia no "país mais fechado do mundo", os turistas conseguiram até mesmo realizar um experimento empírico. Eles acabaram com o mistério: "Existe!"
      Os automóveis também correm pelas ruas das cidades. No entanto, há pouco transporte perto da zona desmilitarizada.
      Ao mesmo tempo, há muitos "castelos do Sol" onde depois das lições na escola as crianças aprendem a pintar, cantar e a dançar e também aprendem a falar línguas estrangeiras, revela Milosavljevic.
      Outro fato que pode ser de interesse de muitos é a enorme quantidade de mulheres lindas nesse país asiático.
      Turistas da Sérvia negam informações de que na Coreia do Norte há 12 tipos de penteado. As mulheres são amáveis, gostam de usar vestidos e saltos altos.
      Turistas da Sérvia negam informações de que na Coreia do Norte há 12 tipos de penteado. As mulheres são amáveis, gostam de usar vestidos e saltos altos.
      "As mulheres gostam de se arrumar, vestir roupas e sapatos com salto alto", diz o turista, acrescentando que elas também usam brincos.
      Finalmente, os sérvios desvendaram mais um mito segundo o qual na Coreia do Norte não… contam piadas. Por exemplo, quando eles foram convidados para uma cervejaria, sua guia lhes contou uma piada sobre George Bush (antigo presidente dos EUA).
      Uma norte-coreana dançando nas ruas
      Uma norte-coreana dançando nas ruas
      Para Filip, uma viagem é pouco para conhecer a Coreia do Norte. A propósito, atualmente uma agência turística chinesa está organizando duas novas viagens, sublinha Milosavljevic.
      Não obstante, para ele, se você gosta de vida noturna, então Coreia do Norte não é a melhor opção:
      "Graças à nossa guia amável, demos uma volta pela cidade de noite. Há pessoas nas ruas, mas não notamos clubes noturnos e os restaurantes fecham suas portas às 21 horas. Em seguida, as pessoas voltam para casa e as ruas ficam vazias. Depois das 21 horas, as luzes da cidade se apagam e a República Popular Democrática da Coreia mergulha em sonho", concluiu.

      quarta-feira, 13 de setembro de 2017

      Quem domina a América?

      Quem domina a América?

      – A elite do poder na era Trump


      por James Petras










      Nos últimos meses, vários sectores políticos, económicos e militares competidores – ligados a diferentes grupos ideológicos e étnicos – emergiram claramente como os centros de poder.

      Podemos identificar alguns dos competidores chave e centros entrelaçados da elite do poder:
      1. Propagandistas do mercado livre, com a presença generalizada do grupo "Israel First". 
      2. Capitalistas nacionais, ligados a ideólogos de direita.
      3. Generais, ligados à segurança nacional e ao aparelho do Pentágono, bem como à indústria da defesa.
      4. Elites dos negócios, ligadas ao capital global.

      Este ensaio tenta definir os detentores do poder e avaliar a amplitude e impacto do seu poder.

      A elite do poder económico: Israel-Firsters e presidentes da Wall Street 

      Os Israel Firsters dominam as posições económicas e políticas de topo dentro do regime Trump e, de modo interessante, estão entre os opositores mais vociferantes da administração. Estes incluem: a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, bem como seu vice-presidente, Stanley Fischer, um cidadão israelense e antigo (sic) governador do Banco de Israel.

      Jared Kushner, genro de Trump e judeu ortodoxo, actua como seu conselheiro principal em Assuntos do Médio Oriente. Kushner, um magnata imobiliário de Nova Jersey, posicionou-se como o arqui-inimigo dos nacionalistas económicos do círculo próximo de Trump. Ele defende todo o poder israelense e a captura de terra no Médio Oriente e trabalha estreitamente com David Friedman, embaixador dos EUA em Israel (e apoiante fanático dos colonatos ilegais judeus) e Jason Greenblatt, representante especial para negociações internacionais. Com três Israel-Firsters a determinar a política do Médio Oriente, não há sequer uma folha de figueira para equilibrar.

      O secretário do Tesouro é Steven Mnuchin, antigo executivo da Goldman Sachs, que lidera a ala neoliberal de livre mercado do sector da Wall Street dentro do regime Trump. Gary Cohn, durante muito tempo influente na Wall Street, encabeça o National Economic Council. Eles constituem o núcleo dos conselheiros de negócios e lideram a coligação neoliberal anti-nacionalista de Trump comprometida a minar políticas económicas nacionalistas.

      Uma voz influente no gabinete da Procuradoria-Geral é Rod Rosenstein, o qual nomeou Robert Mueller como investigador chefe, o que conduz à remoção de nacionalistas da administração Trump.

      O padrinho visionário da equipe anti-nacionalista de Mnuchin-Cohn é Lloyd Blankfein, presidente da Goldman Sachs. Os "Três banksters Israel First" estão a encabeçar o combate para desregulamentar o sector bancário, o qual tem devastado a economia, levou ao colapso de 2008 e ao arresto de milhões de lares e negócios americanos.

      A elite "Israel First" do livre mercado estende-se por todo o espectro político dominante, incluindo democratas no Congresso, liderados pelo líder da minoria no Senado, Charles Schumer e o responsável democrata do Comité de Inteligência da Câmara, Adam Schiff. Os Israel Firsters do Partido Democrata aliaram-se aos seus irmãos do livre mercado para pressionar por investigações e campanhas de mass media contra apoiantes do nacionalismo económico de Trump e o seu expurgo final da administração.

      A elite do poder militar: Os generais 

      A elite do poder militar tomou do presidente eleito o poder de tomar as grandes decisões. Outrora os poderes de guerra permaneciam com o presidente e o Congresso, hoje uma colecção de militaristas fanáticos faz e executa a política militar, decide zonas de guerra e pressiona por maior militarização do policiamento interno. Trump entregou decisões cruciais àqueles que afectuosamente chama os "meus generais" enquanto continua a esquivar-se a acusações de corrupção e racismo.

      Trump nomeou o general de quatro estrelas James "Mad Dog" Mattis (reformado do US Marine Corps) – um general que conduziu a guerra no Afeganistão e no Iraque – como secretário da Defesa. Mattis (cujas "glorias" militares incluíram bombardear uma grande festa de casamento no Iraque) está a conduzir a campanha para escalar a intervenção militar dos EUA no Afeganistão – uma guerra e uma ocupação que Trump condenou abertamente durante a sua campanha. Como secretário da Defesa, o general "Mad Dog" ("Cão Louco") pressionou o não entusiástico Trump a anunciar um aumento das tropas estado-unidenses no terreno e ataques aéreos por todo o Afeganistão. Confirmando seu muito publicitado nome de guerra, o general é um raivoso advogado de um ataque nuclear contra a Coreia do Norte.

      O tenente-general H. R. McMaster (um general de três estrelas na activa e por longo tempo proponente da expansão de guerras no Médio Oriente e Afeganistão) tornou-se Conselheiro de Segurança Nacional após o expurgo do aliado de Trump, ten.-general Michael Flynn, o qual opôs-se à campanha de confrontação e sanções contra a Rússia e a China. McMaster tem sido instrumental na remoção de "nacionalistas" da administração Trump e junta-se ao general "Mad Dog" Mattis na pressão por uma maior acumulação de tropas dos EUA no Afeganistão.

      O ten.-general John Kelly (reformado do USMC), outro veterano de guerra no Iraque e entusiastas das mudanças de regime no Médio Oriente, foi nomeado Chefe de Equipe da Casa Branca após o despejo de Reince Priebus.

      Troika de três generais da administração partilha com os conselheiros Israel First neoliberais de Trump, Stephen Miller e Jared Kushner, uma profunda hostilidade em relação ao Irão e endossa plenamente a exigência do primeiro-ministro israelense Netanyahu de que o Acordo Nuclear de 2015 com Teerão seja sucateado.

      directorado militar de Trump garante que os gastos para guerras além-mar não serão afectados por cortes orçamentais, recessões ou mesmo desastres nacionais. Os "generais", os adeptos do livre mercado Israel First e a elite do Partido Democrata conduzem o combate contra os nacionalistas económicos e têm tido êxito em assegurar que a construção do império militar e económico da Era Obama permaneçam em vigor e mesmo que se expandam.

      A elite económica nacionalista 

      O principal estratega e ideólogo nacionalistas económicos aliados de Trump na Casa Branca foi Steve Bannon. Ele foi o arquitecto político chefe e o conselheiro de Trump durante a campanha eleitoral. Bannon concebeu uma campanha eleitoral em favor da indústria manufactureira interna e dos trabalhadores americanos contra os adeptos do livre mercado na Wall Street e nas corporações multinacionais. Ele desenvolveu o ataque de Trump aos acordos de comércio global, os quais levaram à exportação de capital e à devastação do trabalho manufactureiro nos EUA.

      De modo igualmente significativo, Bannon carpinteirou a oposição pública inicial aos 15 anos de intervenção dos generais no Afeganistão, com um custo de milhões de milhões (trillion) de dólares e as séries de guerras ainda mais custosas no Médio Oriente favorecidas pelos Israel-Firsters, incluindo a guerra em curso de mercenários proxy para derrubar o governo nacionalista leigo da Síria.

      Em oito meses de administração Trump, as forças combinadas da elite económica do livre mercado e militar, os líderes do Partido Democrata, militaristas abertos no Partido Republicano e seus aliados nos mass medida conseguiram expurgar Bannon – e marginalizar a base de apoio de massa da sua agenda económica nacionalista "America First" e da agenda anti-"mudança de regime".

      "aliança" anti-Trump irá agora alvejar os poucos nacionalistas económicos que restam na administração. Estes incluem: o director da CIA Mike Pompeo, que favorece o proteccionismo através do enfraquecimento dos acordos de comércio asiático e do NAFTA e Peter Navarro, presidente do Conselho de Comércio da Casa Branca. Pompeo e Navarro enfrentam forte oposição da troika sionista-neoliberal em ascensão que agora domina o regime Trump.

      Além disso, há o secretário do Comércio, Wilbur Ross, um bilionário e antigo director da Rothschild Inc., o qual aliou-se a Bannon ao ameaçar quotas de importação para tratar do maciço défice comercial dos EUA com a China e a União Europeia.

      Outro aliado de Bannon é o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, antigo analista militar e de inteligência com laços à newsletter Breitbart. Ele é um forte oponente aos neoliberais e globalizadores, dentro e fora do regime Trump.

      "Conselheiro Sénior" de Trump e redactor dos seus discursos, Stephen Miller, promove activamente a proibição de viagem a muçulmanos e restrições mais estritas à imigração. Miller representa a ala Bannon do entusiástico grupo pró-Israel de Trump.

      Sebastian Gorka, vice-assistente de Trump em assuntos militares e de inteligência, era mais um ideólogo do que um analista, o qual escrevia para Breitbart e passou ao gabinete nas pegadas de Bannon. Logo depois de remover Bannon, os "generais" expurgaram Gorka, nos princípios de Agosto, com acusações de "anti-semitismo". 

      Seja quem for que permaneça entre os nacionalistas económicos de Trump, estarão significativamente diminuídos com a perda de Steve Bannon, o qual dava liderança e direcção. Contudo, a maior parte tem antecedentes sociais e económicos, o que também os liga à elite do poder militar sobre algumas questões e com os adeptos do mercado livre pró Israel sobre outras. Contudo, suas crenças nucleares foram moldadas e definidas por Bannon.

      A elite do poder nos negócios 

      O presidente da Exxon Mobile, Rex Tillerson, o secretário de Estado de Trump, e o ex-governador do Texas Rick Perry, secretário da Energia, lideram a elite dos negócios. Enquanto isso, a elite dos negócios associada à manufactura e indústria dos EUA tem pouca influência directa em política interna ou externa. Se bem que em política interna sigam os adeptos do livre mercado da Wall Street, eles estão subordinados à elite militar em política externa e não são aliados ao núcleo ideológico de Steve Bannon.

      A elite dos negócios de Trump, a qual não tem ligação aos nacionalistas económicos no regime Trump, proporciona uma faces amistosa a aliados e adversários económicos além-mar.

      Análise e conclusão 

      O poder da elite atravessa filiações partidárias, ramos de governo e estratégias económicas. Ele não é restringindo por qualquer partido político, republicano ou democrata. Isto inclui adeptos do livre mercado, alguns nacionalistas económicos, correctores da Wall Street e militaristas. Todos competem e combatem por poder, riqueza e dominância dentro desta administração. A correlação de forças é volátil, mudando rapidamente em curtos períodos de tempo – o que reflecte a falta de coesão e coerência no regime Trump.

      Nunca a elite do poder nos EUA foi sujeita a tais mudanças monumentais na sua composição e direcção durante o primeiro ano de um novo regime.

      Durante a presidência Obama, a Wall Street e o Pentágono partilhavam o poder confortavelmente com bilionários de Silicon Valley e a elite dos mass media. Eles estavam unidos na busca de uma estratégia imperial "globalista", enfatizando múltiplos teatros de guerra e tratados multilaterais de livre comércio, os quais estavam em processo de reduzir milhões de trabalhadores americanos à servidão (helotry) permanente.

      Com a posse do presidente Trump, esta elite do poder enfrentou desafios e a emergência de uma nova configuração estratégica, a qual pretendia mudanças drásticas na política económica e política militar dos EUA.

      O arquitecto da campanha e estratégia de Trump, Steve Bannon, procurou deslocar a elite económica e militar global com a sua aliança de nacionalistas económicos, trabalhadores manufactureiros e elites de negócios proteccionistas. Bannon pressionou por uma grande ruptura com a política de Obama de guerras múltiplas e permanentes para expandir o mercado interno. Ele propôs retiradas de tropas e o fim das operações militares dos EUA no Afeganistão, Síria e Iraque, enquanto aumentava uma combinação de pressão económica, política e militar sobre a China. Ele tentou acabar as sanções e confrontação contra Moscovo e moldar laços económicos entre os produtores gigantes de energia nos EUA e a Rússia.

      Se bem que Bannon fosse inicialmente o estratega chefe na Casa Branca, ele rapidamente viu-se confrontado com rivais poderosos dentro do regime, além de oponentes ardentes entre globalistas democratas e republicanos e especialmente entre os sionistas – neoliberais que sistematicamente manobraram para ganhar posições de estratégia económica e política dentro do regime. Ao invés de ser uma plataforma coerente a partir da qual seria formulada uma nova estratégia económica radical, a administração Trump tornou-se um "terreno de luta" caótico e vicioso. A estratégia económica de Bannon mal saiu do terreno.

      Os mass media e os operacionais dentro do aparelho de estado, ligados à estratégia de guerra permanente de Obama, primeiro atacaram a proposta de Trump de reconciliação económica com a Rússia. Para minar qualquer "desescalada", eles fabricaram a conspiração dos espiões russos e manipulação das eleições. Seus primeiros tiros com êxito foram disparados contra o ten.-general Michael Flynn, aliado de Bannon e proponente chave da reversão da política de confrontação militar de Obama/Clinton com a Rússia. Flynn foi rapidamente destruído e ameaçado abertamente com processo quando um "agente russo" estimulou uma histeria que recordava o apogeu do senador Joseph McCarthy.

      Os postos económicos chave no regime Trump foram divididos entre os neoliberais adeptos do Israel-First e os nacionalistas económicos. O "negociante" Trump tentou atrelar sionistas neoliberais filiados à Wall Street aos nacionalistas económicos, ligados à base eleitoral de Trump na classe trabalhadora, formulando novas relações comerciais com a UE e a China, as quais favoreceriam a indústria manufactureira dos EUA. Dadas as diferenças irreconciliáveis entre estas forças, o ingénuo "acordo" de Trump enfraqueceu Bannon, minou sua liderança e arruinou sua estratégia económica nacionalista.

      Apesar de Bannon ter assegurado vários importantes nomeados económicos, os neoliberais sionistas enfraqueceram sua autoridade. O grupo Fischer-Mnuchin-Cohon estabeleceu com êxito uma agenda competitiva.

      Toda a elite do Congresso de ambos os partidos uniu-se para paralisar a agenda Trump-Bannon. Os mass media corporativos gigantes serviram como um megafone histérico e carregado de rumores para excitados investigadores do Congresso e do FBI que ampliavam cada nuance das relações de Trump entre os EUA e a Rússia em busca de conspirações. O aparelho combinado do Congresso e dos media esmagou a desorganizada e despreparada base de massa da coligação eleitoral de Bannon que elegera Trump.

      Totalmente derrotado, Trump, o presidente sem dentes, recuou numa busca desesperada por uma nova configuração de poder, transferindo suas operações do dia-a-dia para os "seus generais". O presidente civil eleito dos Estados Unidos adoptou a busca dos "seus generais" de uma nova aliança militar globalista e de escalada de ameaças militares acima de tudo contra a Coreia do Norte, mas incluindo a Rússia e a China. O Afeganistão foi imediatamente designado para uma intervenção expandida.

      Trump efectivamente substituiu a estratégia económica nacionalista de Bannon por um ressuscitar da abordagem militar multi-guerra de Obama.

      O regime Trump relançou os ataques ao Afeganistão e à Séria – ultrapassando o uso de ataques com drones de Obama a militantes muçulmanos suspeitos. Ele intensificou sanções contra a Rússia e o Irão, abraçou a guerra da Arábia Saudita contra o povo do Iémen e entregou toda a política do Médio Oriente ao seu conselheiro político ultra-sionista (magnata imobiliário e genro) Jared Kushner e ao embaixador dos EUA em Israel, David Friedman.

      A retirada de Trump transformou-se numa derrota grotesca. Os generais abraçaram os sionistas neoliberais no Tesouro e os militaristas globais no Congresso. O director de comunicações Anthony Scaramucci foi despedido. O chefe de Estado-Maior de Trump, general Joe Kelly, expurgou Steve Bannon. Sebastian Gorka foi chutado para fora.

      Os oito meses de luta interna entre os nacionalistas económicos e os neoliberais acabaram. A aliança sionista-globalista com os generais de Trump agora domina a Elite do Poder.

      Trump está desesperado para adaptar à nova configuração, aliada aos seus próprios adversários do Congresso e aos mass media raivosamente anti-Trump.

      Tendo quase dizimado os nacionalistas económicos de Trump e o seu programa, a Elite do Poder montou então uma série de eventos mediáticos exagerados centrados em torno de um espancamento em Charlottesville, Virgínia, entre partidários da "supremacia branca" e "anti-fascistas". Depois de a confrontação ter levado a mortos e feridos, os media utilizaram a inepta tentativa de Trump de culpar ambos os lados que empunhavam "tacos de beisebol" como prova de ligações do presidente a neo-nazis e à KKK. Neoliberais e sionistas, dentro da administração Trump e nos seus conselhos de negócios, juntaram-se todos no ataque ao presidente, denunciando sua falha ao imediatamente e unilateralmente culpar extremistas de direita pela desordem.

      Trump está a voltar-se para sectores dos negócios e para a elite do Congresso numa tentativa desesperada de reter seu apoio em declínio através de promessas de por em prática cortes fiscais maciços e desregulamentar todo o sector privado.

      A questão decisiva não é mais sobre esta ou aquela política ou mesmo estratégia. Trump já perdeu em todos os tabuleiros. A "solução final" para o problema da eleição de Donald Trump está a andar passo-a-passo – o seu impeachment e possível prisão por todos os meios possíveis.

      O que nos diz a ascensão e destruição do nacionalismo económico na "pessoa" de Donald Trump é que o sistema político americano não pode tolerar quaisquer reformas capitalistas que possam ameaçar a elite do poder imperial globalista.

      Escritores e activistas costumavam pensar que só regimes socialistas eleitos democraticamente seriam alvo de golpe de estado sistemático. Hoje as fronteiras políticas são muito mais restritivas. Apelar ao "nacionalismo económico", completamente dentro do sistema capitalista, e procurar acordos comerciais recíprocos é convidar ataques políticos selvagens, conspirações inventadas e capturas militares internas que acabam em "mudança de regime".

      O expurgo dos nacionalistas económicos e dos anti-militaristas efectuado pela elite global-militarista foi apoiado por toda a esquerda dos EUA, apenas com algumas poucas excepções. Pela primeira vez na história a esquerda tornou-se uma arma organizacional daqueles pró guerra, pró Wall Street, pró direita sionista na campanha de expulsão do presidente Trump. Movimentos e líderes locais, no entanto, funcionários sindicais, políticos dos direitos civis e da imigração, liberais e sociais democratas juntaram-se no combate para a restauração do pior de todos os mundos: a política Clinton-Bush-Obama/Clinton de guerras múltiplas permanentes, escalada de confrontos com a Rússia, China, Irão e Venezuela e a desregulamentação de Trump da economia estado-unidense e cortes maciços de impostos para o big business.

      Andámos um longo caminho para trás: de eleições para expurgos e de acordos de paz para investigações de estado policial. Os nacionalistas económicos de hoje são etiquetados como "fascistas" e trabalhadores deslocados são "os deploráveis"! 

      Os americanos têm um bocado a aprender e a desaprender. Nossa vantagem estratégica pode estar no facto de que a vida política nos Estados Unidos não pode ficar pior – realmente chegámos ao fundo e (a menos que haja uma guerra nuclear) só podemos melhorar.

      Ver também: 
    • Chaos of the Trump era is never-ending , M.K. Bhadrakumar

      O original encontra-se em petras.lahaine.org/?p=2153 


      Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
    • terça-feira, 12 de setembro de 2017

      Grandes manobras ao redor da Venezuela

      Grandes manobras ao redor da Venezuela

      25.08.2017
      Grandes manobras ao redor da Venezuela. 27187.jpeg
      Os reflectores dos meios políticos e da comunicação medática concentrados no que está a acontecer dentro da Venezuela, deixam na sombra o que está a ocorrer à volta desse país. A crescente actividade do Southcom indica que, aquilo que o presidente Trump declarou, no dia 11 de Agosto - "Temos muitas opções para a Venezuela, incluindo uma possível opção militar"
      Na geografia do Pentágono, este quadro associa-se à área do Comando do Sul dos EUA (Southcom), um dos seis "comandos de combate unificados" em que os EUA dividem o mundo. O Southcom, que abrange 31 países e 16 territórios da América Latina e do Caribe,dispõe de forças terrestres, navais, aéreas e de um corpo de 'marines', às quais se juntam forças especiais e três task force (forças tarefa) específicas: a Joint Task Force Bravo, localizada na base aérea de Soto Cano, nas Honduras, que organiza exercícios multilaterais e outras operações; a Joint Task Force Guantanamo, localizada na mesma base naval, em Cuba, que efectua "operações de detenção e interrogatório no âmbito da guerra contra o terrorismo"; a Joint Interagency Task Force South, localizada em Key West, na Flórida, com a tarefa oficial de coordenar "operações antidrogas" em toda a região.
      Manlio Dinucci

      A crescente actividade do Southcom indica que, aquilo que o presidente Trump declarou, no dia 11 de Agosto - "Temos muitas opções para a Venezuela, incluindo uma possível opção militar" - não é apenas uma simples ameaça verbal. Uma força especial de 'marines', equipada com helicópteros de guerra, foi implantada em Junho passado, nas Honduras, para operações regionais com uma duração prevista de seis meses. Também na esfera do Southcom, em Trinidad e Tobago, ocorreu em Junho, o exercício Tradewinds com a participação de forças de 20 países das Américas e do Caribe. Em Julho, o Exercício Naval Unitas foi realizado no Peru, com a participação de 18 países e no Paraguai, uma competição/exercício abrangendo forças especiais de 20 países.
      De 25 de Julho a 4 de Agosto, centenas de oficiais de 20 países participaram do Panamax, exercício oficialmente destinado a "defender o Canal do Panamá". De 31 de Julho a 12 de Agosto, decorreu na Joint Base Lewis-McChord (Washington), o Mobility Guardian, que é "o exercício maior e mais objectivo de mobilidade da aviação" com a participação de 3000 homens e 25 parceiros internacionais, em particular com as Forças Aéreas da Colômbia e do Brasil, que se exercitaram em missões diurnas e nocturnas juntamente com as Forças Aéreas americanas, francesas e britânicas.
      O "cenário real" é o de uma grande operação aérea, para transportar rapidamente forças e armamentos para uma zona de intervenção. Por outras palavras, é o teste de intervenção militar na Venezuela, como Trump ameaçou. A base principal seria a vizinha Colômbia, ligada à NATO desde 2013, por um acordo de parceria. "Os militares colombianos - documenta a NATO - frequentaram vários cursos na Academia de Oberammergau (na Alemanha) e no Colégio de Defesa da NATO, em Roma, participando também, em muitas conferências militares de alto nível».
      A existência de um plano de intervenção militar na Venezuela está confirmada pelo almirante Kurt Tidd, comandante do Southcom: numa audiência no Senado, em 6 de Abril de 2017, ele declarava que "a crescente crise humanitária na Venezuela poderia exigir uma resposta regional".
      Para realizar a "opção militar", como Trump ameaçou, poder-se-ia adoptar, embora num contexto diferente, a mesma estratégia implementada na Líbia e na Síria: infiltração de forças especiais e mercenários que jogam benzina em focos de tensão interna, provocando confrontos armados; acusar o governo de massacrar o seu próprio povo e, por conseguinte, a "intervenção humanitária" de uma coaligação liderada pelos EUA.
      Manlio Dinucci
      Tradução
      Maria Luísa de Vasconcellos
      Fonte
      Il Manifesto (Itália)


      Fonte : "Grandes manobras ao redor da Venezuela", Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 23 de Agosto de 2017, www.voltairenet.org/article197570.html
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