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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

ONU: Israel matou 70 palestinos e feriram 2.400 este ano

ONU: Israel matou 70 palestinos e feriram 2.400 este ano
A violência relacionada com a ocupação israelense acumula este ano mais de 70 palestinos mortos e 2.400 feridos, de acordo com um relatório divulgado quinta-feira pela ONU. 

No seu relatório semanal sobre proteção de civis, o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) disse que a última fatalidade foi um 12 - ano - velho atingido em 19 de julho por uma bala de borracha durante os confrontos em Ar Ram, em Jerusalém. 

acordo com a agência especializada das Nações Unidas no mesmo lugar uma semana antes, as forças israelense matou um palestino de 22 anos e feriu outros dois depois de abrir fogo contra um veículo descrito como "suspeitos de atacar" refutada pela versão fontes árabe. 

também em julho 18 ocupantes finalizado uma pessoa em Hebron, que esfaqueou dois soldados na entrada de um campo de refugiados. 

da ONU condena violência no a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Israel, que adverte que se move mais longe a solução de dois estados. 

Altos funcionários da organização, incluindo o secretário-geral Ban Ki-moon, insistem que a ocupação e práticas colonizadoras de Tel Aviv gerar frustração e desespero, terreno fértil para confrontos e ataques extremistas partes. 

de acordo com o OCHA, nos últimos dias eles continuaram invasões e operações de busca e apreensão por ações israelenses uniformizados que deixaram entre 12 e 18 de Julho, 44 palestinos feridos, incluindo 13 crianças. 

escritório informou que com esses casos, o total de feridos em 2016 totalizaram dois 446 mil, principalmente em a Cisjordânia. 

no ano passado, o número de mortos palestinos foi de 161, enquanto os feridos eram de 15 mil 475. 

no seu relatório, a agência também reflete as vítimas israelenses pela violência em curso, 10 mortos em 2016 e 25 em 2015. PL

Fonte: Al Manar

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Prabhat Patnaik / A lógica do capitalismo neoliberal

A lógica do capitalismo neoliberal


por Prabhat Patnaik [*]
O capitalismo é um sistema "espontâneo" no sentido de que a sua dinâmica se caracteriza pelo desdobramento de certas tendências imanentes, tais como a mercantilização de tudo, a destruição da produção pré capitalista e o processo de centralização do capital. Levanta-se a questão: qual é o papel do Estado nesta dinâmica espontânea do capitalismo? Em geral o Estado numa sociedade capitalista ajuda esta dinâmica, removendo entraves e acelerando a operação das suas tendências imanentes. Entretanto pode haver certas conjunturas históricas em que a correlação de forças de classe é tal que o Estado pode ter de actuar para restringir a espontaneidade do capitalismo.

A conjuntura do pós guerra foi uma dessas, quando o enorme crescimento do campo socialista, o surto de confiança da classe trabalhadora nas metrópoles e a ascensão das lutas anti-coloniais de libertação no terceiro mundo, conjugaram-se para colocar uma séria ameaça à própria existência do sistema. A descolonização e a instituição da intervenção do Estado na "administração da procura" para assegurar altos níveis de emprego nas metrópoles (a qual assumiu mesmo a forma de medidas de Estado Previdência nos países da Europa onde a ameaça socialista era mais séria), foram caminhos pelos quais o sistema enfrentou esta ameaça existencial, com o Estado capitalista a actuar em certa medida para restringir a espontaneidade do sistema, embora de modo algum para eliminá-lo (pois isso é impossível enquanto o sistema existe). Além disso, nas economias descolonizadas, os Estados que se constituíram fora da [comunidade] de países socialistas, embora de carácter burguês no sentido de promover o desenvolvimento capitalista, devido à herança da luta anti-colonial também actuaram para restringir a espontaneidade do sistema.

Mas a própria centralização do capital verificada durante este período criou acumulações financeiras maciças cujo impulso para abolir fronteiras nacionais que restringiam sua liberdade de movimento inaugurou o actual regime de globalização que se caracteriza pela globalização do capital e, acima de tudo, da finança. O Estado-nação sob este regime perde sua autonomia face à globalização da finança, uma vez que qualquer movimento da sua parte para actuar de uma maneira oposta às exigências da finança provoca uma fuga financeira e portanto uma crise interna. Portanto, os Estados-nação de facto mais uma vez promoveram, ao invés de restringir, as tendências imanentes do capital. As políticas através das quais eles assim o fazem são aquilo a que chamamos as políticas neoliberais. O neoliberalismo, em suma, restaura a "espontaneidade" do capitalismo". Encarar o Estado neoliberal como a "retroceder" em favor do "mercado" é enganoso – o Estado actua de acordo com as exigências do capital financeiro internacional e da oligarquia corporativa-financeira interna integrada com ele e, com isso, ajuda a "espontaneidade" do sistema.

ASSALTO À PEQUENA PRODUÇÃO 

Arrendatários protestam na Índia.Uma vez que uma importante tendência imanente é a destruição da pequena produção pré capitalista, esta reafirmação da "espontaneidade" do sistema capitalista mostra-se, inter alia, como um assalto à pequena produção, incluindo a agricultura camponesa, por toda a parte. A crise agrária e os suicídios de camponeses que assistimos na Índia na era neoliberal são simplesmente a expressão deste assalto. Eles ocorrem não porque a agricultura seja "abandonada" sob a administração neoliberal, como habitualmente se pensa, mas por causa desta mesma administração.

Os mecanismos através dos quais se verifica este assalto à pequena produção constituem o que Marx chamou o processo de "acumulação primitiva de capital". Se bem que a acumulação primitiva seja logicamente distinta, e ocorra historicamente antes, do que se pode chamar a acumulação "normal" de capital estudada pormenorizadamente no Capital, ela não está confinada só ao período anterior àquele em que o capitalismo se pôs de pé. Ao contrário, ela ocorre através de toda a história do capitalismo, utilizando colonialismo como sua arma principal, como Marx observou nos seus escritos sobre a Índia. O Estado colonial efectuou esta acumulação primitiva a expensas dos pequenos produtores através dos processos paralelos de "drenagem de excedente" e "desindustrialização", ao passo que o Estado neoliberal utiliza outros instrumentos (como vemos abaixo), mas a sua manifestação na forma de uma crise da pequena produção permanece a mesma. Em suma, a actual crise agrária é uma re-emergência, embora sob circunstâncias mudadas, da prolongada crise agrária da era colonial que fora interrompida por algum tempo durante a era dirigista. 

Não [significa] que na era dirigista não houvesse acumulação primitiva de capital: a expulsão de arrendatários(tenants) que assinalou a transição rumo à agricultura capitalista da variedade junker durante este período foi um exemplo óbvio disto. Mas isto foi acumulação primitiva a verificar-se dentro da economia agrária, não infligida pelo grande capital a partir de fora. Agora, verifica-se além disso que tal acumulação primitiva infligida a partir de fora pelo grande capital e pelo Estado neoliberal (o qual ao invés de aparentemente pairar acima das classes e cuidar dos interesses de "todos" torna-se preocupado acima de tudo com a promoção dos interesses da oligarquia corporativo-financeira). Pode-se pensar que quanto a isto não há necessidade de distinguir entre a era dirigista e a era neoliberal uma vez que a acumulação primitiva ocorre sob ambas. A questão entretanto é que a acumulação primitiva da espécie que se verifica neste último período é sobreposta à acumulação primitiva verificada durante o período anterior, a qual também continua no período posterior. É isto que explica a virulência da crise agrária de hoje.

O assalto à agricultura camponesa assume duas formas. Uma, constituindo acumulação primitiva em termos de "fluxo", implica um esmagamento de rendimentos da agricultura e portanto da lucratividade (tal como o que o sistema fiscal efectuou no período colonial). A outra, constituindo acumulação primitiva em termos de "stock", implica uma transferência de activos dos camponeses a preços vis ("throwaway"), muitas vezes sem o seu consentimento, para corporações e desenvolvedores imobiliários para projectos de "infraestrutura" ou "industriais" (além das transferências que se verificam dentro da economia agrária para latifundiários). Mesmo quando é obtido consentimento, ele não é de todos os produtores dependentes de um lote de terra particular; a compensação não é paga igualmente a todos os produtores. Aqueles que são excluídos perdem evidentemente seus direitos sobre a terra em troca de nada (incluindo direitos costumeiros) e são as vítimas óbvias da acumulação primitiva em termos de "stock".

Esta última questão tem sido muito discutida; vamos portanto concentrar-nos nela. Um certo número de medidas tomadas pelo regime dirigista para melhorar a resiliência e lucratividade da agricultura foi desfeito sob o regime neoliberal, esmagando o campesinato até o ponto em que mesmo a reprodução simples se torna impossível para grande número deles, resultando em suicídios de camponeses (mais de 200 mil na última década e meia). Entre estas estão: acabar o isolamento da agricultura camponesa das vicissitudes das flutuações de preços do mercado mundial que o dirigismo proporcionava por meio de tarifas e restrições quantitativas; colocar camponeses em contacto directo com multinacionais do agro-negócio e corporações internas sem a almofada protectora do Estado; fazer subir preços de inputs através da retirada de subsídios do Estado, exigido pelo facto de que recursos orçamentais fluem cada vez mais para grandes corporações; reduzir a investigação e desenvolvimento agrícola em instituições públicas; terminar serviços públicos de extensão agrícola; cortes severos no investimento público na agricultura; uma retirada progressiva de crédito institucional para o sector de modo a que camponeses tenham de contrair empréstimos a taxas exorbitantes de uma classe de novos usurários; e privatização de serviços essenciais como educação e saúde o que os torna inacessíveis para trabalhadores rurais. Também se podem listar medidas semelhantes que afectam outros segmentos de pequenos produtores: pescadores, artesãos, fiadores e tecelões.

A acumulação primitiva de capital que destrói a pequena produção e liberta trabalhadores para o desemprego não teria provocado o sofrimento que provocou se aqueles "libertados" pela sua destruição houvessem sido absorvidos significativamente dentro do "exército de trabalho activo". Ele não o foram e a razão para isso está na remoção de outra restrição à "espontaneidade" que o dirigismo havia imposto, nomeado sobre o ritmo da mudança tecnológica e estrutural. Em consequência a taxa de crescimento da produtividade do trabalho tem sido tão alta que, apesar das taxas de crescimento aparentemente altas do PIB, a taxa de crescimento do emprego tem sido demasiado diminuta para absorver sequer o crescimento natural da força de trabalho, muito menos os pequenos produtores deslocados à procura de empregos. Certamente o crescente desemprego relativo provocado por isto não se manifestou como tal: ele assumiu a forma de uma proliferação de emprego precário, emprego em tempo parcial, emprego intermitente e desemprego disfarçados (muitas vezes camuflado como "micro empreendedorismo"). O racionamento de emprego em grande medida apagou a própria distinção entre exércitos de trabalho activos e de reserva como entidades separadas. Isto por um lado resultou numa proliferação do lumpen proletariado e por outro numa estagnação ou mesmo declínio dos salários reais dos trabalhadores organizados.

Mesmo que tomemos o período 2004-05 a 2009-10 que supostamente testemunhou crescimento rápido do PIB e que limitemos a nossa atenção ao que o NSS chama de "status habitual" do emprego como um indicador aproximado do emprego correcto, descobrimos que a taxa de crescimento de tal emprego foram uns meros 0,8 por cento ao ano, bem abaixo da taxa de crescimento da própria população (e portanto, aproximadamente, da força de trabalho natural) ainda que ignoremos os pequenos produtores deslocados à procura de emprego. Segue-se portanto que para os trabalhadores como um todo, incluindo trabalhadores agrícolas, camponeses e pequenos produtores e trabalhadores de colarinho não branco, tem havido uma deterioração absoluta das condições de vida reais sob o neoliberalismo. Isto se deve ao facto de que a característica essencial de um regime neoliberal é infligir um processo virulento de acumulação primitiva de capital numa situação de geração de emprego diminuta, o qual também foi exactamente o caso sob o regime colonial.

O paralelo com a crise agrária do período colonial fica sublinhado se olharmos os números da produção cerealífera. A produção líquida média anual per capita de cereais no quinquénio 1897-1902 foi de 201,1 quilogramas para a "Índia Britânica", a qual declinou para 146,7 no quinquénio 1939-44 (os números subsequentes são afectados pela partição). Isto foi um declínio maciço, de mais de 25 por cento, o qual mostra a severidade da crise agrária. No entanto este declínio foi revertido e houve uma melhoria no período pós independência, até o início da "liberalização": o número para a União Indiana como um todo ascendeu para 178,77 kg no triénio concluído em 1991-92. Contudo, o período da "liberalização" assistiu mais uma vez a um declínio: a produção cerealífera líquida anual per capita do triénio acabado em 2012-23 (a qual é comparável com a do triénio anterior) foi de 169,52 kg.

Significativamente, o declínio na disponibilidade líquida per capita de cereais também acompanhou este declínio da produção, o que demonstra a afirmação feita anteriormente acerca da deterioração das condições de vida dos trabalhadores como um todo. A produção líquida anual per capita de cereais, a qual é definida como produção líquida menos exportações líquidas menos acréscimos líquidos a stocks (embora por razões práticas só stocks do governo sejam considerados), ascendeu de 152,72 kg no quinquénio 1951-55 para 177 kg no quinquénio terminado em 1991-92. Para o triénio terminado em 2012-13, este número desceu para 172,1 kg.

DECLÍNIO DA ABSORÇÃO ALIMENTAR 

Este declínio na absorção alimentar que estes números sugerem também é confirmado pelos números da ingestão de calorias per capita. A percentagem da população rural com acesso a menos de 2200 calorias por pessoa por dia (a qual é a referência para definir pobreza rural) aumentou de 58,5 em 1993-94 (o primeiro inquérito NSS do período de "liberalização" para 68 em 2011-12. A percentagem de população urbana com acesso a menos de 2100 calorias por pessoa por dia (a referência para definir pobreza urbana) aumentou de 57 em 1994-94 para 65 em 2011-12. Em termos de fome, a Índia agora classifica-se abaixo da África sub-Saariana e também no que a ONU chama "os países menos desenvolvidos" ("the least developed countries, LDCs"). O facto da fome crescente contradiz afirmações oficiais acerca do declínio da pobreza, mas isto não é surpreendente uma vez que as afirmações oficiais baseiam-se num método espúrio de estimar a pobreza. Este método define uma "linha de pobreza" para o ano base como um nível de referência da despesa (à qual as normas de calorias são cumpridas) e então actualiza-o para anos posteriores utilizando um índice de preços no consumidor a fim de estimar quantas pessoas caem abaixo desta linha. Tais índices de preços no consumidor, contudo, subestimam seriamente a inflação de preços real: eles não levam em conta o aumento no custo de vida devido à privatização de serviços essenciais como educação e cuidados de saúde.

A ascensão do PIB per capita numa situação de absoluta deterioração das condições de vida dos trabalhadores implica um aumento maciço da fatia do excedente no PIB, a qual explica o aumento extraordinário em desigualdades de rendimento e riqueza durante o período da liberalização, como é evidente por exemplo na ascensão do número de indianos bilionários. Ela também explica (num período em que a realização do excedente em ascensão não tem sido um problema devido ao boom) o enriquecimento visível de um segmento da classe média. O rendimento deste segmento é ou derivado directamente deste excedente, exemplo, da sua despesa com consumo de luxo e de actividades associadas à sua extracção, ou dependente do seu crescimento (o qual é o reino da finança). Além disso, a comutação de um conjunto de actividades tais como serviços relacionados com tecnologia de informação (IT) de países metropolitanos para a economia indiana, a qual faz parte de um fenómeno de transferência("outsourcing") para o terceiro mundo que caracteriza a era actual da globalização, também contribui para o seu crescimento. Entretanto, o crescimento deste segmento da classe média talvez seja menor em termos da suadimensão numérica relativa do que em termos do seu rendimento relativo em relação ao trabalhadores. 

Os ciclos de expansão (booms) sob o capitalismo neoliberal são tipicamente associados à formação de bolhas de preços de activos. O prolongado boom capitalista mundial que foi sustentado primeiro pela "bolha dotcom" e a seguir pela "bolha habitacional" e que está subjacente ao boom do período de liberalização na economia indiana, chegou ao fim, sem novas bolhas à vista no futuro previsível. Os dias tranquilos do neoliberalismo estão acabados, o que portanto traz para a agenda histórica uma luta pela sua transcendência. Isto pode ser uma luta combinada, dos trabalhadores que têm sido suas vítimas, e de segmentos da classe média que até agora têm sido seus beneficiários mas actualmente estão à beira de tempos árduos. Mas precisamente por causa desta possibilidade, o capitalismo neoliberal também promoverá tendências fascistas e semi-fascistas a fim de dividir o povo. Reagir a estas tendências é o meio pelo qual a esquerda e as forças democráticas podem avançar. 
14/Agosto/2016

[*] Economista, indiano, ver Wikipedia

O original encontra-se em peoplesdemocracy.in/2016/0814_pd/logic-neo-liberal-capitalism . Tradução de JF. 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Matheus Tavares / URSS venceu seis das nove Olimpíadas que participou



URSS venceu seis das nove Olimpíadas que participou

Larissa Latynina
Larissa Latynina, ginasta que conquistou 18 medalhas olímpicas entre 1952 a 1964 e que foi a maior campeã olímpica por mais de 40 anos.
Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que acontece neste mês de agosto de 2016, reúnem delegações de atletas de mais de 200 países. Até a tarde do penúltimo dia dos jogos, EUA, Grã-Bretanha, China e Rússia lideravam o quadro de medalhas, respectivamente, com o primeiro superando 40 ouros. Contudo, esta “hegemonia” dos estadunidenses foi quebrada por atletas da União Soviética em seis dos nove jogos olímpicos de verão que disputaram, entre 1952, em Helsinque, a 1988, em Seul, nos quais a URSS conquistou a primeira posição no quadro de medalhas. Nos jogos olímpicos de inverno, que ocorrem dois anos antes dos de verão, a URSS foi primeira colocada em sete de nove jogos que participou.
A partir da revolução russa de outubro de 1917, dezenas de países iniciaram um longo processo de boicote, velado ou armado, à Rússia Soviética e, posteriormente, à URSS, nos terrenos econômico, político e, até mesmo, esportivo. Em 1920, o COI (Comitê Olímpico Internacional) excluiu a delegação russa dos Jogos Olímpicos da Antuérpia, na Bélgica, junto aos países derrotados da Primeira Grande Guerra. Porém, a URSS trabalhava para se tornar um país industrializado, com uma economia socialista forte, consolidando direitos à classe trabalhadora soviética, e o acesso ao esporte foi garantido à população. Entre a década de 1920 a 1940, ocorreram as Olimpíadas Operarias e as Espartaquíadas, que reuniam delegações de atletas trabalhadores de várias cidades, num clima de confraternização e consciência social.
A gigantesca vitória da URSS na Segunda Grande Guerra a colocou como superpotência mundial e obrigou o COI a rever sua política segregacionista em relação à pátria soviética. Nos Jogos de Londres, em 1948, A URSS foi convidada, porém ainda estava se recuperando dos desastres provocados pela Alemanha Nazista, e não pode participar. Em Helsinque, em 1952, a URSS inicia sua participação em Olimpíadas, alcançando a segunda colocação, com 71 medalhas, sendo 22 de ouro. A partir de 1956, nos jogos de Melbourne, no qual a delegação soviética conquistou 98 medalhas, sendo 37 de ouro, a URSS começa a mostrar ao mundo o potencial que os esportes podem alcançar em pátrias socialistas. Em sessenta anos, apenas três vezes os EUA não ocuparam o primeiro lugar. Em 1956 destacou-se o imponente ouro no futebol olímpico, conquistado pela seleção soviética.
Três dos cinco maiores medalhistas olímpicos de todos os tempos disputaram os jogos com o uniforme soviético. Larissa Latynina (18 medalhas/1952-1964), Nikolai Andrianov (15 medalhas/1972-1980) e Boris Shakhlin (13 medalhas/1956-1964), que disputavam as provas de ginástica, surpreenderam o mundo com extraordinário talento, e Larissa foi, por mais de 40 anos, a atleta com mais medalhas da historia, sendo superada recentemente pelo nadador Michael Phelps, porém continua sendo a mulher com mais medalhas olímpicas dos jogos. Em 1960, em Roma, a URSS conquista 103 medalhas, sendo 43 de ouro, e, pela segunda vez, é a primeira colocada dos jogos olímpicos. Em 1964, em Tóquio, a URSS obtém o maior número de medalhas dos Jogos, 96, conquistando 30 ouros, mas fica atrás dos EUA na quantidade de medalhas douradas, os quais conquistaram 36. Na Cidade do México, em 1968, os EUA venceriam pela última vez a URSS no quadro de medalhas. Ao todo, os estadunidenses levaram para casa 45 ouros de um total de 107, enquanto que os soviéticos subiram ao alto do pódio 29 vezes de 91 medalhas conquistadas.
Em 1968, o lendário atleta soviético Viktor Saneyev, três vezes campeão olímpico do salto triplo e recordista mundial, disputava sua primeira olimpíada. O mesmo, em 1972, nos Jogos Olímpicos de Munique, tornou-se bicampeão, sendo condecorado com a Ordem de Lênin, uma das maiores honrarias concedidas a um cidadão soviético. Em Munique, a URSS voltou a ocupar o primeiro lugar no quadro de medalhas, conquistando 50 ouros e 99 medalhas no total. Destacou-se a histórica vitória do basquete soviético, vencendo o até então imbatível time dos EUA por 51 a 50, no último segundo da partida. Em Montreal, em 1976, a URSS conquistou 49 ouros, de um total de 125 medalhas, ficando mais uma vez na ponta de cima do quadro de medalhas. A delegação da Alemanha Oriental surpreendeu o mundo ao ficar à frente dos EUA no número de medalhas, levando 40 ouros para casa, enquanto que os estadunidenses ficaram em terceiro, conquistando 34 medalhas douradas.
A memorável Olimpíada de Moscou, em 1980, marcou gerações. Apesar do boicote dos EUA e de vários países aliados, entre eles várias ditaduras militares, como a argentina, por conta do socorro prestado pelo Exército Vermelho, no ano anterior, ao governo afegão, que lutava contra grupos terroristas, os Jogos de Moscou foram um verdadeiro sucesso, sendo considerado pelo COI “como modelo a ser seguido a partir de então”. O evento reuniu 80 países e mais de cinco mil atletas. A URSS conquistou 195 medalhas, sendo 80 de ouro, tendo mais uma vez a Alemanha Oriental na segunda posição, com 47 ouros. A famosa cena do ursinho Misha chorando, na cerimônia de encerramento dos Jogos, se tornou um símbolo olímpico. Aleksandr Dityatin, ginasta soviético, se tornou herói nacional ao receber, pela primeira vez nas Olimpíadas, uma nota 10 nas provas do individual geral, levando mais dois ouros, quatro pratas e um bronze na ginástica.
Em 1984, nos Jogos de Los Angeles, o Comitê Olímpico Soviético decidiu não participar diante do agravamento do quadro de perseguição aos comunistas, promovido pelo governo neoliberal de Ronald Reagan. Alemanha Oriental e Cuba, duas potências olímpicas, seguiram a URSS e boicotaram os Jogos. Em sua última participação, nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, mais uma vez o bloco socialista demonstrou seu enorme potencial esportivo, no qual a URSS levou para casa 132 medalhas, sendo incríveis 55 ouros, ficando em primeiro lugar, sendo seguida pela Alemanha Oriental, que conquistou 37 ouros e 102 medalhas, enquanto que os EUA, mais uma vez, ocuparam a terceira posição, com 36 ouros e 95 no geral. Em 1988, o basquete olímpico soviético mais uma vez foi campeão, derrotando na final a forte seleção iugoslava.
A contraofensiva imperialista, junto ao revisionismo do PCUS, que levou à extinção da pátria soviética e ao retrocesso social gigantesco, nos quais indústrias foram desmanteladas, bancos e terras privatizadas e milhões de trabalhadores ficaram sem emprego, o esporte também sofreu um duro golpe. Ainda mantendo parte do legado esportivo soviético, a delegação dos países da ex-URSS, agrupados sob a bandeira da CEI (Comunidade dos Estados Independentes, com exceção dos países bálticos), manteve a primeira posição nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, levando 112 medalhas, sendo 45 de ouro. A partir daí, a Rússia, principal herdeira do potencial soviético, restabeleceu o capitalismo e jogou seu povo numa profunda crise econômica, desemprego em massa e guerras localizadas. A Rússia, que em 1996 conseguiu chegar à segunda posição nos Jogos de Atlanta, continuamente vem decaindo, lutando, nos atuais Jogos, para conquistar a quarta colocação.
O verdadeiro espírito olímpico, baseado na paz e na confraternização dos povos, precisa ser rediscutido, pois, cada vez mais, grandes empresas se apropriam dos Jogos, mercantilizando-os, oferecendo “milhões” aos melhores atletas para se tornarem seus “garotos-propaganda”. Enquanto o esporte for secundarizado e até mesmo negado para milhões de crianças ao redor do mundo, continuaremos a ver como distante um evento tão importante à humanidade, responsável por parar guerras na Grécia Antiga. Porém, como provou a toda humanidade os simples atletas soviéticos, que não recebiam salários milionários nem se sentiam acima do povo, mas que honravam a historia de luta de sua pátria, as conquistas dependem, principalmente, da construção de uma nova sociedade, no qual o esporte será interligado com o trabalho e com a cultura, e todos poderão ter acesso, seja na fábrica ou universidade, de apoio à prática esportiva.
Matheus Tavares Nascimento, estudante da UFPA e militante do PCR
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domingo, 21 de agosto de 2016

Propaganda de guerra em Aleppo

21 de agosto de 2016

Morte do irmão de "Boy Wounded no assento Laranja" parece ser uma falsificação Add-On

Relacionado com o "Menino ferido em Laranja assento" golpe aqui é um pouco item que só aumenta a minha desconfiança sobre a veracidade de todo o conto.
Na sexta-feira 19 de agosto Oriente Médio Correspondente Raf Sanchez e Said Ghazali do britânico Telegraph relatou de uma entrevista com o pai do menino que supostamente ferido no banco de laranja:
Abu Ali, o pai da criança cujo rosto assombrado agora espreita para fora de páginas de jornais em todo o mundo, descreveu última noite de sua família de normalidade em uma entrevista com um ativista sírio em nome da The Telegraph .
...
Ao contrário do que os relatórios do Aleppo médicos que trataram Omran, o menino é de apenas três anos de idade e não cinco. Omran foi liberado do hospital, juntamente com seus quatro irmãos e todas as crianças estão silenciosamente em recuperação , disse o pai.
Confirmando a acima da Campanha Síria, uma parte da maioria dos EUA financiou aparelho de propaganda anti-Síria , haviapublicado este no dia 18 de agosto:
Graças a Deus a família toda de Omran são seguros . Sua mãe teve algumas lesões ruins em suas pernas. Seu pai sofreu um ferimento na cabeça menor. Sua irmã de 7 anos passou por uma operação cirúrgica, esta tarde e ela está indo bem.
Note-se que não há nenhuma menção de um menino ferido.
No sábado Médio Oriente O correspondente da Telegraph Raf Sanchez relatou uma história bastante diferente do que o que ele mesmo havia dito um dia antes:
Ele surgiu no sábado que o irmão mais velho de Omran Daqneesh Ali tinha sucumbiu aos ferimentos sofridos no mesmo bombardeio que levou seu irmão nas telas de televisão em todo o planeta.Ali, 10, estava na rua quando uma bomba regime russo ou sírio caiu sobre o prédio de sua família no bairro Qaterji de Aleppo, na quarta-feira.
Enquanto o resto de sua família sofreu ferimentos leves como seu apartamento em colapso em torno deles, Ali parece ter sido mais plenamente exposta à explosão de uma bomba e morreu no hospital .
...
O pai de Omran, que pediu para ser identificado apenas pelo apelido de Abu Ali , que significa "pai de Ali", recebeu carpideiras em casa temporária da família no sábado. Omran, três, e seus três irmãos sobreviventes ficaram dentro da casa como Abu Ali aceitou condolências na rua.
A BBC observou :
O irmão mais velho de Omran Daqneesh, o menino sírio cuja atordoado e sangrando imagem chocou o mundo, morreu de ferimentos sofridos quando a casa da família em Aleppo foi bombardeada, dizem os ativistas.A Campanha de Solidariedade a Síria disse 10-year-old Ali "passou hoje afastado devido a seus ferimentos do bombardeio de sua casa pela Rússia / Assad".
A segunda Telegraph peça é acompanhada pela imagem de um menino com o que parece ser um (!), Mas completamente por limpar e não desinfectados () pequeno arranhão sangrento na bochecha esquerda superior. Os olhos estão fechados e dois tubos soltos de sua boca. Um sensor de cardiograma é fixo no peito abaixo do ombro. A legenda para que pic diz: "Ali (à esquerda) foi morto na explosão ...". Ele está realmente morto?
Um dia nós aprender com o pai e outros, que:
  • todas as crianças, incluindo Ali, estão bem
  • todos estão se recuperando
  • tudo tinha deixado o hospital
No dia seguinte, ficamos a saber que:
  • Ali foi gravemente ferido
  • Ali morreram dessas lesões
  • em um hospital (que ignora os cuidados básicos trauma) que ele aparentemente nunca deixou.
taquígrafo do Telegraph, que escreveu duas histórias, ignora esses grandes contradições entre os dois contos.
Eu, pelo menos acredito que ambas as histórias são falsas e que todo o bombardeio e salvamento incidente nunca aconteceu, mas foi encenado. O "resgate" foi um golpe e todas as histórias em torno dele, como o "Ali morto", são meros contos de fadas de vários "ativistas" pagos por esta ou aquela campanha de propaganda "ocidental".
Houve um tempo em que jornais como The Telegraph e outros meios empregados jornalistas que acompanharam em histórias e verificadas as reivindicações feitas para eles. Para muitos meios de comunicação que é, obviamente, não é o caso. Hoje qualquer "ativista" pode skype o taquígrafo de qualquer lugar, contar uma história de fantasia de um bombardeio no leste-Aleppo e imprimi-lo. Um dia depois, ele pode chamar novamente com uma versão totalmente diferente daquela história de fantasia e ter que imprimiu também. Sem perguntas.
É de se admirar que os leitores e telespectadores evitar esses meios de comunicação?
Publicado por b em 12:59 | Comentários (13)
 
fonte:   Moon of Alabama

sábado, 20 de agosto de 2016

A Verdade / Em cinco anos, 24 mil leitos do SUS foram fechados



Em cinco anos, 24 mil leitos do SUS foram fechados

lotacao (2)Dados divulgados em maio pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostraram que quase 24 mil leitos do SUS foram fechados no período de 2010 a 2015 no Brasil. A capital mais atingida foi o Rio de Janeiro, com o fechamento de 2.503 leitos, seguido por Fortaleza, com 854 leitos. Pernambuco teve uma redução de mais de 600 leitos. Os números foram colhidos com base no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde.
Para Alexandre Padilha, Ministro da Saúde no período do estudo, a redução dos leitos se deve principalmente ao fechamento dos hospitais psiquiátricos, parte da política da Reforma Psiquiátrica, que visa a desinstitucionalização dos doentes. Segundo ele, esse fechamento corresponde a 10 mil leitos. Porém, a redução também ocorreu em leitos obstétricos e pediátricos (11 e 16%, respectivamente). A justificativa de Padilha é que neste período houve uma redução de 10% na taxa de natalidade. Mas, o que verificamos em todas as maternidades é a lotação e falta de leitos para gestantes e recém-nascidos, como verificado em algumas maternidades de Recife, onde o absurdo de duas gestantes dividirem o mesmo leito foi verificado no início deste ano.
Padilha também lembra que neste mesmo período houve um aumento dos leitos de urgência e emergência, ortopedia e traumatologia, oncologia e neurologia. Esse aumento, porém, ainda é bem aquém da real necessidade da população, evidenciada pela demora no atendimento e resolução dos casos.
Também a justificativa dada pelo governo em nota divulgada pela Agência Saúde em outubro de 2014 não é fácil de engolir. Em nota, o governo afirma que essa redução de leitos é consequência da política de prevenção e promoção da saúde, que faz com que ocorra menos internação hospitalar, pois o tratamento passa a ser nas unidades básicas, como Postos de Saúde e UPAs. Porém, o atual Ministro da Sáude, Ricardo Barros, afirmou que “Existem de fato UPAs fechadas, existem postos de saúde fechados. Melhorar a qualidade da gestão é fundamental. É isso que vai poder promover a reativação desses leitos que eventualmente estão paralisados”, afirmou em entrevista ao G1, em maio deste ano. E quem depende do SUS sabe qual a realidade na atenção básica.
Além do mais, o número de leitos em rede credenciada, a chamada rede suplementar, aumentou 2.210 vagas no mesmo período. Ou seja, ao mesmo tempo em que reduz os leitos do SUS, o governo amplia a rede privada, gastando mais na contratação desses leitos do que gastaria na manutenção dos leitos diretamente administrados pelo Estado.
Os fatos são claros, basta visitar qualquer unidade de saúde, seja de nível básico, médio ou de alta complexidade: faltam leitos, faltam materiais, faltam profissionais, faltam investimentos. E isso é consequência da crescente redução na verba da saúde, que a cada ano sofre mais golpes. Por isso, torna-se cada vez mais necessária a luta por mais valorização à saúde pública, o fim da parceria público-privada através das Organizações Sociais e o fim da privatização. Saúde não é e não pode ser tratada como mercadoria. É dever do Estado garantir à população um atendimento resolutivo, rápido, universal e gratuito.
Da Redação (A Verdade)
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